Exposições
4..Janeiro a 26..Janeiro
António Romão
O EQUILÍBRIO DOS BRANCOS
Sábado_17h00
Sala da Nora

Quem visitar e apreciar esta exposição tem de guiar-se, logo desde o princípio por um axioma da teoria da cor: a oposição natural (e estética) do branco por relação ao preto. Esta oposição convoca, na cultura ocidental, uma plêiade de outras oposições e simetrias, simbólicas e culturais, cujo ponto culminante se exprime na vitória do poder da luz sobre as trevas — ideia fundamental nos textos das cosmogonias e teogonias da Antiguidade.
Por conseguinte, o equilíbrio dos brancos representa, em certo sentido, a paleta de possibilidades da luz, isto é, da visibilidade — no sentido em que P. Klee afirma que a pintura não reproduz o visível, torna visível. A matéria das telas desta exposição evoca isso mesmo: a luz, com um mínimo de intervenção do autor — como se recusasse, em certo sentido, ser o seu criador. Apenas leves vestígios dessa força mediúnica: uma sobreposição de branco sobre o branco da tela crua e, em alguns casos, uma linha preta a cortar a atmosfera luminosa do quadro, em sentido horizontal.
Mas quem expõe quadros, cuja tela não foi pintada e que apresenta apenas a base bruta, não tratada, capaz de receber os meticulosos ou ocasionais afagos do pincel ou da espátula, está a desafiar o espectador.   
Neste sentido, esta exposição também documenta um desafio antigo e inacabado: que pode fazer o espectador diante de uma tela em branco, que não é uma tela por pintar?  
L. Azevedo

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Entrada Gratuita

M/06