Música
11..Novembro
Festival DME - Concerto Electroacústico
ENSEMBLE DME
4ª Feira_18h30
Cine-teatro Avenida

Vortex Temporum, geometrias do inelidível

A irreversibilidade do tempo é o mecanismo que traz ordem a partir do caos.
Ilya Prigogine


Analogamente a outros movimentos artísticos, a música erudita do início do século XX emerge carregada de inevitáveis ruturas que se coadunam com um momento histórico carregado de clivagens sociais, históricas, económicas, políticas, i.a.
As voluptuosas texturas na música de Debussy, as contundentes figurações rítmicas de Stravinsky e o perfeccionismo geométrico de Anton Webern constituem paradigmas da modernidade que Paul Griffiths analisa meticulosamente (Griffiths, 1987).

Desde a segunda metade do século XX que podemos provar da fonte de uma renovação que parece não se esgotar. (...) O domínio do tempo foi desafiado pela mestria dos que dominam a arte que nele assente e que dele não pode sair. (...) O presente concerto não pretende abarcar as variáveis da escuta temporal, mas propor uma reflexão sobre algumas das mais marcantes e significativas abordagens deste terreno potencialmente inóspito a quem o experiencia sem compreender que dele brota a raiz da essência musical. (...) Berio e Eco exploraram interdependências músico-literárias (Eco, 1989), John Cage desafiava a profundidade da escuta num contraponto concertante com o rigor exploratório de Pierre Boulez (Nattiez, 1993), a música electrónica elidia as fronteiras conhecidas entre nota e ritmo, entre som e ruído, entre harmonia e timbre (Stockhausen, 1963, 1998), notavelmente em KONTATKE, obra também apresentada pelo FESTIVAL DME no Cine-Teatro Avenida, em 2018. (...) Foi este espírito de pioneirismo que influenciaria as gerações seguintes, que são já hoje as referências desta prática musical, notavelmente, Gérard Grisey e Brian Ferneyhough, a par de outros como Helmut Lachenmann, Wolfgang Rihm, os portugueses Jorge Peixinho e Emmanuel Nunes, e tantos outros que continuaram a desbravar caminho e já são história num território que bem penetra o século XXI em pleno vigor, repleto de inovações.

Excerto de texto inédito de Jaime Reis (2020)


O Ensemble DME convida o seu público a um desafio inédito num concerto com concisas explicações sobre as explorações no domínio temporal, com obras dos do século XXI de Daniel Moreira, Paulo Ferreira-Lopes e Jaime Reis, e obras basilares do século XX, dos incontornáveis Brian Ferneyhough, Elliott Carter e Gérard Grisey.

Eco, U. (1989). Obra Aberta. Lisboa: DIFEL Difusão Editorial, Lda.
Griffiths, P. (1987). A Música Moderna, Uma história concisa e ilustrada de Debussy a Boulez. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda.
Nattiez, J.-J. (Ed.). (1993). The Boulez-Cage Correspondence. Cambridge: Cambridge University Press.
Stockhausen, K. (1963). Die Einheit der musikalischen Zeit. In Band 1 - Texte zur elektronischen und instrumentalen Musik (pp. 211–221). Cologne: Verlag M. DuMont Schauberg.
Stockhausen, K. (1998). The Concept of Unity in Electronic Music. In O. Strunk (Ed.), Source Readings in Music History, The Twentieth Century (pp. 96–100). New York: W. W. Norton & Company, Inc.

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M/06

Entrada Gratuita